solidariedade: um ato inverso

…Recebe-se mais do que se oferece.

Quando o assunto é ajudar outras pessoas, muita gente fala com bastante convicção que faria se tivesse dinheiro – se fosse naturalmente rico ou, de repente, ganhasse a Mega Sena da Virada. Nas atuais condições financeiras, no entanto, seria inviável. “Como o pouco que eu tenho pode ajudar alguém?”, elas questionam. E a resposta é: de muitas formas.

É importante ter a consciência de que tudo é relativo. Por mais clichê que pareça, o que parece pouco pra um, é imenso pra quem não tem nada. Qualquer tipo de ajuda é de grande valia, ainda que você sinta que gostaria de ajudar muito mais. O que não pode acontecer é ficar imóvel por achar que não tem o bastante para compartilhar.

Também precisamos deixar de lado a ideia de que ajudas são sempre financeiras. Doar dinheiro não é a única coisa que importa. Doar o seu tempo a uma causa que acredita pode ser tão valioso quanto levantar fundos para uma instituição, por exemplo.

Como Pedro Werneck, Presidente do Instituto da Criança e nosso speaker exclusivo, observa: “Vivemos divididos em dois grupos na sociedade: de um lado, estão os que podem colaborar e, do outro, as pessoas que precisam de apoio. Compreender de que lado estamos é o começo. O passo seguinte é agir, a fim de procurar reduzir as diferenças entre esses dois extremos. ”

Estamos cansados de saber que a desigualdade em nosso país só cresce, mas apenas lamentar por isso não faz com que a situação mude, certo? Precisamos fazer o que está ao nosso alcance e jamais naturalizar as situações de desconformidade na sociedade.

Desigualdade social

Dados levantados pelo estudo “A Escalada da Desigualdade“, da FGV, em agosto desse ano, apontam que a desigualdade social tem alta ininterrupta desde o segundo trimestre de 2015. No índice Gini, a concentração de renda no segundo semestre de 2019 estava em 0,6291. Esse indicador vai de 0 a 1 (quanto mais perto de 1, maior a desigualdade de renda).

Outra pesquisa que vale mencionar é a “Nós e as Desigualdades“, realizada pela Oxfam Brasil em janeiro de 2019. A pesquisa aponta que 86% dos entrevistados creem que o progresso no Brasil está condicionado à redução de desigualdade entre pobres e ricos.

Além disso, 77% concordam com o aumento dos impostos de pessoas muito ricas para financiar políticas sociais. Por outro lado, 57% não acreditam que as desigualdades diminuirão nos próximos anos. Uma perspectiva preocupante e um sinal de que precisamos agir .

É inegável a importância das políticas sociais, mas e se todos que têm recursos e disposição se mobilizassem para ajudar quem precisa? Se o progresso do país depende do fim da desigualdade, vamos todos mais longe quando praticamos a solidariedade e buscamos uma sociedade mais digna e sustentável para a vida humana.

E claro: a vontade de ajudar pode existir, mas só o sentimento da solidariedade não basta. É preciso colocar em prática, torná-lo em ação transformadora que faz a diferença na vida das pessoas. No final, não é só a pessoa que recebeu a ajuda que sai ganhando. A sensação de ter ajudado alguém faz bem para a nossa saúde física e mental.

Se você quer começar a ajudar e ainda não sabe exatamente como isso pode ser feito, preparamos um material com formas simples de exercer a solidariedade.
Clique aqui e confira 🙂

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